sexta-feira, 26 de março de 2010

Depressão pós-transa

Eles querem sexo, elas querem amor e um telefonemazinho depois da transa. Grudar no celular é um sintoma da depressão pós-sexo!

Até o início dos anos 90, quando os primeiros celulares começaram a funcionar no Brasil, meninas solteiras costumavam brigar pelo monopólio do telefone doméstico. Empenhadíssimas em manter o aparelho no gancho para que os paqueras da vez pudessem encontrá-las, elas interrompiam conversas alheias aos gritos, pela extensão, proclamando que a linha deveria permanecer livre, livre, liiiivre! As mais apaixonadas, inclusive, se recusavam a sair de casa para ficar de plantão ao lado do aparelho torcendo para que ele enfim fizesse trim trim. Aí veio a tecnologia e tratou de resolver este, digamos, probleminha feminino. Se a pílula anticoncepcional garantiu, a partir dos anos 60, o direito da mulher ao sexo apenas por prazer, o telefone móvel deu a ela o conforto de aguardar aquela ligação em qualquer lugar. Sim, muitas de nós continuam esperando ele ligar. E, se a relação já passou pela cama, então, ainda com mais ansiedade, roendo as unhas. Grudar no telefone é o sintoma mais clássico da depressão pós-sexo – a conhecida síndrome que ataca as garotas insatisfeitas em transar só por transar.

Confundindo amor e sexo

Depois de ouvir quase 8,2 mil pessoas em dez cidades do país, a sexóloga Carmita Abdo, coordenadora da pesquisa sobre comportamento sexual Mosaico Brasil, afirma que mulheres, em geral, ainda tendem a confundir sexo com amor. É verdade que 51% das cerca de 4 mil entrevistadas garantiram que fazem distinção entre vida afetiva e vida sexual. Mas outros dados do levantamento feito pela Universidade de São Paulo (USP) mostram que pelo menos quando bem jovens elas têm uma visão mais romântica dos relacionamentos. Prova disso é que homens e mulheres paulistanos responderam à pergunta “Com quem iniciou a vida sexual?” de maneira bem diferente. Noventa por cento delas foram rápidas na resposta: “Com um namorado”. Já eles variaram: 37% disseram “namorada”, 28%, “amiga”, 20%, “prostituta”, 10%, “desconhecida” e 5%, “prima”.
Analisando esses dados, a doutora Carmita concluiu: 2/3 das entrevistadas consideravam namorado alguém que as enquadrava como “amiga” ou em alguma outra das categorias citadas acima. A especialista explica que, quando a mulher elege alguém para a sua primeira vez, fantasia que vá viver feliz para sempre com o escolhido. Mas, como isso acontece hoje, em média, em torno dos 15 anos, a garota acaba tendo à frente muito tempo antes de se casar. “A mulher atualmente se casa, em média, aos 27 anos e por isso é natural que ela, durante esses doze anos, entre a perda da virgindade e o altar, experimente vários parceiros. Com isso, acaba aceitando que nem sempre o sexo implica namoro”, explica.

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Sexo sem compromisso

A DJ Luisa Mello, 26 anos, de Belo Horizonte, tinha 18 quando deixou de ser virgem, e só aos 26 aprendeu que, sim, dá para separar sexo de amor. “Até os 24 eu tive dois namoros longos e sérios”, conta ela. “Mas depois fiquei um ano e meio sozinha e apostei em relações com caras que não queriam compromisso. Comecei a achar que os homens bons já estavam tomados.” Depois de enfrentar inúmeras manhãs pós-sexo em que ficava deprimida, com os ouvidos atentos ao celular mudo, Luisa resolveu que não transaria com ninguém que não conhecesse bem. Mas aí começou a sentir falta de sexo e acabou indo para a cama com um grande amigo que passou a acionar quando o tesão apertava. “Sexo sem amor eu até encaro, mas sem afeto e amizade não dá!”, diz. Há seis meses, a DJ se apaixonou e começou uma nova história – que desta vez vem dando certo. “Voltei a paquerar quando aceitei que os homens têm uma relação mais desencanada com o sexo e que tudo bem. Eu experimentei sexo desencanado com o meu amigo e gostei (risos)! E aí parei de encarar os caras como inimigos.”
No levantamento feito pela USP, 53% das mulheres se declararam incapazes de transar com alguém com quem não estejam envolvidas, contra 22% dos homens. A publicitária paulistana Bárbara Bufrem, 24, faz coro às estatísticas. Durante mais de dois anos, ela até tentou encarar na boa um “freela fixo” com um cara. “Várias amigas minhas têm um ‘pinto amigo’”, diz. “Tentei manter um também, mas estava me autoenganando. Esperava que ele mudasse e esperar é muito chato.” A solteira Bárbara, hoje em dia, toma a iniciativa de procurar o paquera sempre que a ansiedade começa a atacar. “Mas uso o messenger, claro, porque tem menos ‘peso’.” Santa tecnologia!


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